A remuneração variável ou remuneração por resultados ou remuneração por desempenho ou remuneração por metas, passou a ser utilizada no Brasil na década de 1980. Até então, o arcabouço da legislação não propiciava este tipo de remuneração. Neste texto vamos conhecer uma história que não acaba bem porque o gestor não conhecia este conceito e dicas para implantar a remuneração variável. Venha conosco.
Uma história infeliz
Era uma vez (quando nem se ouvia falar em Remuneração Variável) …
João e Maria trabalhavam juntos, com a mesma função, na fábrica de doces e pirulitos que foi instalada na antiga cabana da bruxa, na floresta. O trabalho deles consistia em enrolar os docinhos mantendo um padrão visual e garantindo o peso e as dimensões previstas para cada modelo de docinho. A produção e as vendas iam de “vento em popa” e todos estavam animados.
Este conto de fada do empreendedorismo tinha tudo para dar certo, a não ser por uma situação: aconteceu que Maria tinha muito mais habilidade que João e enrolava muitos mais docinhos, com melhor qualidade, no mesmo tempo. Maria estava insatisfeita pois ela se esforçava, mas o irmão não se preocupava com a aparência dos docinhos e nem em executar as tarefas mais rápido.
Com o passar do tempo Maria começou a enrolar de forma mais devagar, não se preocupava mais com o padrão visual e rapidamente estava produzindo no mesmo ritmo do irmão. Resultado: os anões, as fadas e duendes já não achavam os docinhos tão bons e a empresa começou a vender menos doces.
O gestor da empresa pensou: vamos demitir o João e contratar mais Marias. Procurou, procurou e não achou pessoas qualificadas, confiáveis e próximas a cabana, para contratar. O gestor então, embrenhou-se na floresta a procura de alternativas para motivar João e Maria e fazer a empresa voltar a vender.
Remuneração Variável não custa mais caro
Na vida real, também existem várias empresas que acabam por desmotivar um empregado habilidoso, por não utilizar ferramentas de gestão que valorizam o mérito. Não se trata de uma poção milagrosa, mas a remuneração variável, valor pago ao empregado em função de resultados alcançados, pode ser a solução.
Muitos pensarão: isto vai custar mais caro! Mas … não é bem assim. Não há motivos para temer usar esta opção, muito pelo contrário.
Até os esquilos, passarinhos, joaninhas e todos os bichos da floresta precisam saber que, um programa de remuneração variável pode ser:
- Autofinanciável (os resultados gerarão recursos para financiar os valores a serem pagos)
- Controlável (a eleição de indicadores e metas, de entendimento da empresa e dos empregados, permite o alinhamento de objetivos dos envolvidos)
- Flexível e adaptável (observando as características do setor de atuação da empresa e do processo em que atuam os empregados).
Como implantar um programa de remuneração variável?
O gestor não precisa ficar perdido na floresta, ele pode rever a forma como administra a fábrica de doces, usando as novas formas de remuneração previstas na legislação a favor da motivação dos empregados.
Existem várias formas de remuneração variável. O período de apuração pode ser de curto prazo e de longo prazo. Os indicadores, para se aferir o cumprimento de metas, podem ser individuais (dizem respeito a contribuição de um único trabalhador) ou coletivos (dizem respeito a contribuição de um conjunto de trabalhadores).
Falta muito? Falta pouco? Precisamos alterar a forma de trabalhar para atingir as metas? É necessário divulgar os resultados periodicamente durante o ano. É muito importante que os trabalhadores acompanhem os indicadores, para que se sintam motivados.
Cada empresa deverá construir um modelo adequado a sua realidade e de acordo com as peculiaridades da cada uma de suas unidades. Atualmente, sugerimos que as empresas usem o conceito de participação nos lucros e resultados, conforme Lei 10.101/2000 e Lei nº 12.832/2013 pois, os encargos são menores do que outros pagamentos a empregados.
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Carmelita Guerra é consultora de Recursos Humanos
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