Admissão e demissão nos ambientes empresariais são atos corriqueiros. Essas ações fazem parte do escopo de atribuições de gestores de diversos níveis. Estes gestores passam por treinamentos e participam de palestras, vivenciam situações na prática, são orientados por pessoal da área de Recursos Humanos e muitas vezes pela área Jurídica, mas demitir continua sendo uma atribuição que causa incômodo. Que bom, é para causar mesmo.

Neste texto vamos refletir sobre aspectos do ato de demitir, para que você gestor, se ainda não se sente seguro, da próxima vez faça direito. Saiba mais.

Não dá para dizer: eu não precisarei fazer nenhuma demissão

Desde 2014 a crise econômica brasileira vinha se agravando e parece estar agora ficando “menos pior”. Para os gestores de vários negócios pelo país afora a rotina de todo dia consiste em encontrar meios de fazer a travessia deste período difícil, acreditando que vai melhorar.

Ocorre, que nem toda a fé do mundo, garante resultados. E como a conjuntura não ajuda, são milhares as empresas que “fecham as portas” e em algum momento você precisará fazer uma demissão.

E você sabe que a demissão vai trazer angústia para os empregados, que passam a fazer parte das estatísticas de desempregados.

Não é só fazer, é o como fazer

Eu sei que não importa a forma como se diga, nada mudará a realidade que se impõe, a pessoa estará sem emprego e sua estabilidade ou até mesmo de sua família ficará comprometida.

Se já houve feedback sobre comportamentos inadequados, resultados aquém do esperado, situação desafiadora do mercado, ou outros similares, em tese, não é novidade que alguém pode ser demitido. Quando não há este cuidado de fornecer feedbacks o momento de demissão é muito mais difícil. É importante ser honesto com as pessoas.

Como quem dirige empresas, gera resultados (bons ou maus) e convive nos ambientes empresariais, são os seres humanos, é preciso garantir a nossa “humanidade” no momento da demissão.

Por “humanidade” entendamos aqui, a habilidade de na interação com o outro, ser capaz de se preocupar com o impacto das nossas ações e palavras junto a este outro ser humano. Esta é a tal da Empatia.  

Ah, eu já fiz muitas demissões… Mas é a primeira vez que você vai demitir este empregado, nesta empresa e hoje.

Não faça de qualquer jeito, cada demissão é uma demissão. Desde de 500 a.c. Heráclito de Efeso, já dizia: “Nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros.”

Você precisa se esforçar para tratar cada demissão:

  • com a seriedade que o assunto requer (não deixe a informação vazar),
  • cumprindo a parte burocrática estipulada pela legislação trabalhista (certifique-se com a área responsável que a documentação está correta), e principalmente,
  • de forma digna.

É importante trazer dignidade ao processo. Importa sim, a forma como você Gestor, olha olho no olho, escuta, acolhe…

Decisão tomada, documentação pronta … é agora

Seguem algumas dicas:

  • Não terceirize a demissão – o chefe direto do empregado, mesmo que há pouco tempo, é responsável por fazer a demissão.
  • É melhor você fazer no início da semana pois você poderá acompanhar o impacto na equipe pelos próximos dias. Sem falar que para o demitido, é ruim ficar sofrendo no fim de semana, sem poder fazer contatos.
  • Escolha um local reservado, adequado para conversar. Se tiver companhia de alguém da área de RH, esta pessoa poderá apoiar nas explicações mais burocráticas.
  • Para chamar o empregado que será demitido, não faça brincadeiras, seja sério e breve.
  • Seja educado e cordial com a pessoa. Nunca se sabe o dia de amanhã.
  • Não enrole para não deixar a pessoa confusa. Deixe claro que a pessoa está sendo demitida.
  • Se você se mostrar inseguro, o demitido vai questionar, seja firme. Assuma que a decisão é sua (mesmo que não tenha sido).
  • A decisão já foi tomada, não fique se explicando. Explique a causa da demissão de forma breve.
  • Não gere expectativas. Não diga sim para evitar conflito, não se comprometa com o que não pode cumprir.
  • Seja coerente. Não peça desculpas ou elogie em excesso.
  • Tenha paciência se a pessoa ficar perguntando mesmo depois de você já ter explicado, pois as pessoas tem dificuldade de ouvir neste momento.
  • Mantenha a calma mesmo que o demitido se exalte. Nunca responda as agressões. Se precisar chame a segurança ou a polícia.

Parecem atitudes simples mas não subestime estas dicas. Estes pequenos cuidados farão diferença no ato da demissão.

Lembre-se, é para sair inteiro da empreitada

Não se espera que o demitido saia feliz da vida, fazendo festa. Mas os pequenos cuidados que você tomou, com certeza ajudaram o processo. Mesmo se seguiu todas as dicas, é natural que se sinta incomodado com a demissão que precisou fazer. Isto é normal, afinal, como já citamos aqui, somos todos humanos.

Respire fundo, pense nos seus desafios, nos desafios da sua área e nos da empresa. É preciso seguir em frente.

Se você gostou deste texto, leia também “A importância do planejamento de recursos humanos”

Carmelita Guerra é consultora de Recursos Humanos