Em uma situação de alinhamento organizacional, existe coerência entre os valores, missão, opções estratégicas e diretrizes da empresa. É a partir deste ponto, quando se compartilha visão de negócio e chega-se a objetivos e linguagem comuns, é que se consegue o engajamento dos empregados.

Há algum tempo atrás era mais fácil promover alinhamento organizacional pois, as empresas eram menores, locais, regionais e quando muito nacionais. Por vezes, significava andar até a sala ao lado, olhar olho no olho, conversar e combinar as ações. Ainda não vivíamos sob a égide da globalização, internet, cadeias logísticas, etc. Mesmo assim, aconteciam casos de dois empregados, numa mesma empresa, interpretarem uma mensagem de forma diversa.

A título de exemplo, veja a história do João, que trabalhava em uma renomada empresa brasileira, por volta da década de 1970:

A história de João

João era um trabalhador oriundo do meio rural, que herdou de sua família valores e princípios rígidos, mas que frequentou apenas uns poucos anos de escola. Na função de Apontador (este era o nome de seu cargo) recebeu a missão de fazer um relatório de itens que seriam “baixados” do patrimônio.

Com sua linguagem simples, testemunha dos poucos anos de estudo, e sem maiores orientações, João registrou no formulário:

  • 10 Mesa de cumê véia (não se trata de desrespeito com idosas, o João sinalizou assim que as mesas do refeitório eram muito usadas e não estavam mais em condições de uso).
  • 05 cadeiras de datilógrafa sem braço (sim, meus caros, ainda existiam as datilógrafas e estas cadeiras aí não eram destinadas a pessoas portadoras de necessidades especiais. O João quis dizer que as cadeiras não tinham braços e não as datilógrafas).  

Para João o relatório não poderia ser mais claro, mas os colegas com mais anos de escola entenderam de forma diferente.

A gente chega a ter saudade dos tempos em que os entendimentos divergentes diziam respeito apenas à forma de escrever.

Muito mais do que escrever textos

Os trabalhadores estão muito mais escolarizados, muitos dominam mais de um idioma, os dispositivos de comunicação são potentes, as informações estão disponíveis. O cenário é favorável ao entendimento. Será?

Ocorre que os ambientes são muito mais complexos. Há maior competitividade, mais tecnologia, espaços de atuação mais amplos, interação de pessoas de origens, visão de mundo, religiões e gerações diferentes (que bom!). Se deseja que as pessoas tenham entendimento comum e que se engajem para atingir os objetivos, invista no alinhamento organizacional

Alguns acham que é suficiente fazer panfletos e enviar mensagens. Mas em alguns casos as orientações não são exequíveis e as mensagens são até mesmo conflitantes. A título de exemplo, um diretor diz “produza mais” e outro diz “economize energia”. Metade da organização põe o pé no acelerador e busca atingir o objetivo da produção a qualquer custo. A outra metade tenta sensibilizar para a redução do consumo de energia. O resultado é que as áreas não se entendem e se acusam mutuamente de sabotagem do trabalho do outro.

Com a percepção de que o fornecedor ou cliente interno é inimigo, ao invés de investir o seu tempo para o atingimento de um objetivo comum, as áreas se perdem em desafios que não constroem o resultado desejado para a empresa.

Empresas que não se preocupam com alinhamento organizacional estão cheias de bem intencionados que trabalham muito e não alcançam os resultados desejados.

Como trabalhar para o alinhamento organizacional?

Mais uma vez, não se trata apenas de gerar email, papel, posts e comunicados, mas de engajar pessoas e conseguir os melhores resultados.

É preciso:

  • identificar a coerência entre a estratégia e as diretrizes com os valores e a missão e estabelecer metas e linguagem comuns, levando em conta as peculiaridades de cada unidade;
  • reavaliar os programas de recompensa;
  • disponibilizar ferramentas para acompanhamento de resultados e realinhar diretrizes e metas, sempre que necessário.

Alinhamento organizacional é uma questão de estratégia.

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Carmelita Guerra é consultora de Recursos Humanos