Um comitê de carreiras é uma das ferramentas de gestão de pessoas. Muito se fala em planejar carreira, desenvolvimento de carreira, coach e outras ferramentas usadas para administrar carreiras. Porém, não se fala em comitê de carreiras. Porque será?

Desconhecimento quanto a esta ferramenta capaz de dar transparência e legitimidade ao processo de identificação dos profissionais que deverão ter suas carreiras planejadas e monitoradas?

O que é e como funciona um comitê de carreiras? Neste breve relato pretendemos trazer algum esclarecimento. Confira.

Objetivos do Comitê de Carreiras

O Comitê de Carreiras consiste em um processo de reunião dos gestores da empresa, apoiada por um facilitador, para definir os postos chaves e os possíveis sucessores (futuros ocupantes destas posições). Este processo se aplica a todo e qualquer tipo ou tamanho de empresa.

Os objetivos de um Comitê de Carreiras são:

o   Consensar os postos chaves da empresa;

o   Identificar os empregados com potencial para o suprimento dos postos chave;

o   Planejar, implementar ações e monitorar as carreiras dos potenciais sucessores apontados.

o   Monitorar a dinâmica da empresa, reavaliando postos chaves, movimentações ocorridas, novas demandas, etc.

Desta forma, o processo de sucessão nos diversos postos de trabalho ocorrerá de forma tranquila, sem descontinuidades e sem solavancos.

A avaliação subsidia o comitê de carreiras

O comitê será instalado após ter sido realizada uma avaliação formal dos empregados. Esta avaliação fornecerá o material fundamental e necessário para a realização dos comitês.

Para escolher o programa de avaliação adequado à empresa e que privilegie características que são importantes no momento, é necessário:    

  • analisar os processos, os objetivos as características e as opções estratégicas da empresa
  • respeitar os valores e a cultura da empresa

O cuidado é de escolher ferramentas que possam identificar de forma efetiva, clara e transparente, pessoas com o perfil que atenda aos requisitos da empresa.  Sem o processo de avaliação formal, sistemática e objetiva, dificilmente chegaremos a atingir os objetivos esperados.

Funcionamento dos Comitê de Carreiras

É lógico que o funcionamento até de uma reunião está pautado por algumas regras básicas. No comitê de carreiras, para que cada passo seja efetivo existem pontos básicos que devem ser seguidos na sua condução.

E é sobre estes procedimentos ou regras que tratamos a seguir:

  • Quais e quantos comitês serão estabelecidos. Sugerimos comitês que correspondam ao organograma existente. Isto qualifica o resultado, pois mais de um nível participa da análise.
  • Iniciam-se os comitês, de baixo para cima. Primeiro realiza-se o comitê de nível gerencial mais baixo da hierarquia.
  • O comitê subsequente conhece o resultado do comitê anterior, validando-os para o seu nível e analisa o seu grupo de avaliados. E assim por diante.
  • O comitê debate todos os empregados considerados “como destaque ou de alta” avaliação.
  • Finalmente escolhe os melhores, naquele ano, para terem um planejamento de carreira, devidamente detalhado e que será monitorado. Este acompanhamento deverá ser efetuado pelo seu gerente, pela área de RH e por um monitor.

O grande desafio do comitê é conciliar as percepções dos gestores participantes. Por isso será fundamental a mediação realizada por um mediador ou facilitador.

Afinal, quais características são relevantes no Comitê de Carreira?  

Após mapear postos chaves, o que se procura no Comitê de Carreiras são nomes de profissionais que atendam aos requisitos desejados pela empresa. Para identificar os potenciais sucessores, alguns critérios são necessários para facilitar o entendimento.

Quando consideramos que um empregado tem potencial para suprir um cargo chave? Quais as características que validam uma indicação? Elencamos algumas percepções que, via de regra, surgem quando se trata deste personagem:

  • Possui competências técnicas de alto nível;
  • É comprometido para com os valores da empresa;
  • É pró-ativo, não fica aguardando ordens para executar suas atividades;
  • Claramente ocupa cargo inferior às suas qualidades;
  • Aceita facilmente os desafios que lhe são apresentados;
  • Tem ascendência sobre seus colegas.

Obviamente não vamos esgotar este elenco de qualidades baseado em premissas que DEVEM ser avaliadas, mensuradas e comprovadas.

As informações de avaliação (desempenho, diagramas de resultados pessoais, análise de potencialidades, perfil de habilidades, inteligência emocional, dentre outras) irão subsidiar o processo decisório nos comitês.

Terminou a reunião do comitê de carreiras. E agora?

Os registros dos debates do comitê orientarão um Planejamento de Carreira para os empregados apontados como potenciais sucessores.

Deste planejamento de carreira deve constar os estágios, os treinamentos, rotações (mudanças de áreas/atividades) e até os cursos regulares que o empregado deverá realizar. Importante lembrar que os movimentos horizontais, transferências para cargos de mesmo nível, costumam agregar competências adjacentes que vão deixando o profissional com uma visão mais ampla dos processos da empresa.

A implementação das ações previstas no plano será acompanhada pela área de RH, que designará um profissional maduro para realizar esta façanha. Este profissional que acompanhará os indicados,  chamado de monitor de carreira, pode ter formação em coach ou outra que facilite este tipo de abordagem. O objetivo é perceber as dificuldades, entender os objetivos pessoais e orientar os potenciais.

Por que fazer comitê de carreiras?

Para você as carreiras hoje em dia são voláteis e na rotina das empresas não há tempo para se pensar as pessoas? Provavelmente as entradas e saídas em sua empresa são frequentes, há dificuldade de persistir em objetivos empresariais, e pode estar ocorrendo descontinuidades em função de vacância de postos chave.

Acreditamos que “muito tem a ganhar” as empresas que implantam comitê de carreiras. Dentre as várias possibilidades destacamos:

  • A consolidação do entendimento quanto aos desafios estratégicos da empresa e seu desdobramento para as diversas áreas.
  • Mapeamento dos postos chaves, seus requisitos e suas interações;
  • O compartilhamento de informações quanto ao perfil das pessoas, nivelando a alta administração quanto aos possíveis talentos a disposição da organização, levando à análise quanto a técnicas de retenção;
  • Investimento em desenvolvimento profissional direcionado para atender a demandas da empresa;
  • Disponibilidade de profissionais preparados para assumir posições chave em caso de vacância, eliminando os danos de situações não planejadas, tais como: perdas de contatos, descontinuidade de projetos, sobrecarga de trabalho para pares, dentre outros.

O comitê de carreiras, é uma poderosa ferramenta para detecção e conhecimento dos recursos humanos, além de promover a retenção de talentos. Qualquer que seja o tamanho da sua empresa, a reflexão quanto a sucessores pode ser um diferencial.

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Carlos Wilkes e Carmelita Guerra são consultores na área de Recursos Humanos